domingo, 28 de outubro de 2012

O pai da noiva



Saiba qual é o papel do pai da noiva e o que ele deve vestir no casamento

Ricardo Oliveros
Do UOL, em São Paulo




O papel do pai da noiva em um casamento parece bem simples: conduzir sua filha até ao altar para entregá-la ao noivo. Mas muitos têm dúvidas sobre o que usar, de que lado entrar, quais as despesas com que tem de arcar e, na sua ausência, com quem a noiva entra na igreja.

Sugestões para o pai da noiva

  

 
 Os sogros do cinema não são fáceis
O cinema soube explorar, especialmente em comédias, o desespero de alguns pais quando a filha anuncia o casamento. Em “O Pai da Noiva”, de 1991, George Banks (Steve Martin) tem uma crise de ciúmes e apronta um monte de confusões entre o noivado e a festa de casamento da filha Annie (Kimberly Williams). Já em “Entrando numa Fria”, de 2000, Greg, interpretado por Ben Stiller, tem que enfrentar o sogro Jack Byrnes (Robert DeNiro), um ex-agente da CIA que não vai com a sua cara. No filme “Casamento Grego”, de 2002, há o conflito de culturas quando Gus Portokalos (Michael Constantine) precisa se esforçar muito para aceitar o casamento de sua filha com um americano. No filme “Mamma Mia!”, musical lançado em 2008, Sophie (Amanda Seyfried) está prestes a se casar e, como não conhece o pai biológico, envia convites para três ex-casos de sua mãe: Sam Carmichael (Pierce Brosnan), Harry Bright (Colin Firth) e Bill Anderson (Stellan Skarsgård), para que todos compareçam ao casamento. Na vida real, os ciúmes e as desavenças entre sogros e genros podem existir, mas na hora do casamento já devem ter sido contornados em nome da felicidade do casal.


Quem paga a conta? 
O dote é um costume antigo, no qual a família da noiva doava ao casal uma quantia considerável de dinheiro e bens. De acordo com o livro “O Desaparecimento do Dote - Mulheres, famílias e mudança social em São Paulo, Brasil, 1600-1900” (2001), de Muriel Nazzari, o dote era considerado uma espécie de adiantamento da herança. Em São Paulo, este costume passou a não existir no começo do século 20, devido às mudanças econômicas e sociais pelas quais o país passava naquele momento.
Com o fim do dote como obrigação, durante certo tempo virou tradição os pais da noiva arcarem com as despesas do enxoval, vestido da noiva, igreja, decoração, festa de casamento, lua-de-mel, convites e fotos. Depois, ficou acordado que a família do noivo seria a responsável pelas alianças, custos da lua de mel e, em alguns casos, pela casa onde o casal iria morar. Hoje em dia, é normal que as famílias dividam todas as despesas de comum acordo, incluindo até os próprios noivos no rateio. De qualquer forma, vale o bom senso: o casal deve fazer uma previsão de gastos com antecedência, discuti-la com suas respectivas famílias e, principalmente, não deixar ninguém constrangido com a situação.

Nos pés não tem erro: escolha um sapato de amarrar em couro preto, como este de cromo alemão

Como deve ser a entrada na igreja?
Muitos casamentos realizavam o cortejo, ou seja, a entrada do noivo, dos pais, dos padrinhos e madrinhas, pajem e dama de honra e por fim a noiva com seu pai. Atualmente, isso é reservado para matrimônios com muita pompa. O modo clássico é a noiva entrar na igreja acompanhada pelo pai, ao seu lado direito. Esta ordem pode ser invertida, caso a cauda do vestido seja muito extensa, evitando que o pai dê uma volta muito grande quando se dirigir para o lado esquerdo no altar, lugar reservado para os pais, madrinhas e padrinhos da noiva. Se o véu cobrir a face da noiva, é o pai quem retira a peça, antes de fazer a entrega simbólica ao noivo.


O que o pai da noiva deve vestir?
A regra é clara. Tanto o pai, quantos os padrinhos devem seguir o estilo do noivo. O mais elegante é o terno, composto de paletó, colete e calça. Esta combinação é clássica e versátil, já que todos vão poder usá-la em outras ocasiões.
Para casamentos diurnos, opte por tons claros, como o cinza ou bege. Para a noite, pretos risca-de-giz, azul marinho e cinza chumbo são os mais recomendados. O importante é combinar com o noivo se todos vão usar o mesmo tom ou não. O uso do “smoking”, muito comum nos Estados Unidos, tem ganhado adeptos no Brasil e é indicado para os casamentos formais. Suas características principais são a lapela feita de seda, a camisa trabalhada na parte da frente com pregas, a gravata borboleta e a faixa de seda, que fica sobre a calça quando não se usa o colete. Independente da escolha, ninguém deve se destacar mais do que o noivo, nem o pai da noiva.
Se o casal escolher que no altar todos os homens estarão com o mesmo tom do terno, a gravata pode ser o diferencial. Para a cerimônia diurna, as gravatas de duas cores e sem brilho são ótimas opções. Os modelos lisos e com o brilho da seda ou cetim, nas cores prata, vermelho e lilás representam boas escolhas para depois das 18h. Para o pai que vai acompanhar sua filha, a clássica camisa branca é a opção certa. Nos pés, escolha sapatos pretos de amarrar, muito bem engraxados, já que combinam com a maioria das cores de ternos.

Na ausência do pai quem entra com a noiva? 
Em caso de falecimento ou brigas irreconciliáveis, a noiva pode entrar com o avô, padrinho de batismo, irmão mais velho ou um homem muito próximo da família, como um tio, por exemplo. Se os pais estão separados, no altar prevalecem os laços consanguíneos, ou seja, mesmo que os pais casem novamente, somente o pai e a mãe ficam no altar. Se por algum motivo isso criar alguma saia justa, convide os atuais cônjuges para padrinhos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Herrar é umano



Herrar é umano

Por Fernanda Pompeu | Mente Aberta – 



O título deste post é uma frase-poema do curitibano Paulo Leminski (1944-1989). Gosto dela porque brincalhona, numa só tacada de corpo e alma, diz tudo. Alguém mais sisudo poderá objetar: "Acertar também é humano".
No Manifesto da Poesia Pau-Brasil, o paulistano Oswald de Andrade (1890-1954) enaltece "a contribuição milionária de todos os erros". Nesse caso, os erros de português que nos ajudariam a recriar uma língua mais moderna, mais brasileira.
Ao frigir do omelete, errar é chato! Ninguém gosta. Se pudéssemos teríamos uma vida só de acertos. Acertar na prova, acertar no namoro, acertar no casamento, acertar no emprego, acertar na aposentadoria, acertar na loteria.
Mas umanos, sempre herramos. Então, a pergunta é como tirar partido dos erros nossos de cada dia. Minha professora do grupo escolar responderia: "Não errando de novo". Puxa, quem de nós não cometeu duas, quatro, sete vezes o mesmo erro?
Acho que o negócio é não fugir da realidade do erro. A grande jogada é aprender a errar menos. Melhor ainda, aprender a fazer amizade com o erro. Olhar bem na cara dele e entender por que ele acontece, ou por que deixamos que ele aconteça.
Pois tem erro do sistema e tem erro da gente. Tem erro do capitalismo e tem erro do socialismo. Tem erro do pai e tem erro da filha. Tem erro de amor, tem erro de desamor, tem erro sem querer, tem erro proposital. Tem erro bobo, tem erro fatal.
Também podemos colecionar elogios ao erro. Por exemplo, a coragem de errar. Quem expõe uma ideia, um caminho, um novo produto, um novo serviço corre muito mais risco de errar do que aquele que fica na moita, de molinho na gaveta.
Quem tem ambição de crescer, melhorar, transformar está mais exposto ao erro, porque vai fazer mais tentativas, mais autoexigências. Vai trilhar mais caminhos, vai se arriscar em atalhos. Vai tropeçar. Vai cair. Vai se levantar?
Errará menos o sujeito que não se mexe, não almeja, não move um milímetro para saltar do lugar em que está. Com medo de errar, não vai propor nada e nem se propor a nada. Aliás, essa pessoa tende a enxergar erros até nos acertos.
A vida prova: só erra quem faz. A vida comprova: só acerta quem já herrou muito.
* Manuscrito de Flaubert. Pesquisa: Régine Ferrandis, de Paris

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SBT e a 1001

Vale uma visita no blog do Roberto Moraes sobre uma reportagem do SBT falando dos problemas da empresa que 1001 problemas.
Veja aqui.

Campanha publicitária



Campanha publicitária do Citibank espalhada pela cidade de São Paulo através de Outdoors:


"Crie filhos em vez de herdeiros."

"Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."

"Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."

"Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."

"Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."

"Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"

"Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."

"Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."

"...e quem sabe assim você seja promovido a melhor ( amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã.. etc.) do mundo!"

"Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."

E para terminar:

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Comemoração antes da hora

video
Comemorar antes da hora não é uma boa estratégia, como podemos ver no vídeo acima.
E por falar nisso, tudo bem comemorar a reeleição da prefeita, mas eu pergunto:
Vai haver nova eleição em março?

domingo, 21 de outubro de 2012

Só para meninas



De cultura diferente, mas loucas para participar de rito de passagem americano, jovens vão à luta e organizam festa alternativa


Estava quase tudo pronto para o baile de formatura no salão de colunas gregas enfeitadas com laços rosa e branco e taças de plástico.
Mas ao olhar seu reflexo no espelho, observando seu vestido lavanda de um ombro só e ajustando o hijab que emoldurava seu rosto em uma cascata de flores - um estilo que aprendeu no YouTube -, Tharima Ahmed sabia que o que estava por vir era mais do que simplesmente um baile.



Como organizadora do primeiro baile de formatura apenas para garotas da Escola de Ensino Médio Hamtramck, uma festa que se adapta às crenças religiosas que proíbem o namoro, a dança com meninos e mesmo aparecer sem lenço sobre a cabeça na frente de pessoas do sexo masculino, Ahmed, 17, estava forjando um novo rito de passagem para adolescentes muçulmanas que antes tinham como única opção passar a noite do baile em casa.
"Oi, gente. Quer dizer… oi, meninas", disse Ahmed, uma americana cuja família é de Bangladesh, diante de outras cem meninas de diferentes origens - iemenitas, polonesas, palestinas, bósnias e africanas.
Assim foi o baile de formatura em Hamtramck, uma cidade de 22,5 mil habitantes da classe trabalhadora que fica no subúrbio de Detroit e que já foi predominantemente alemã e polonesa, mas tornou-se uma das cidades mais diversas do país.
Nestes tempos de saltos altíssimos e decotes cavados, a transformação de adolescentes que costumam usar jeans e camiseta em adultas elegantes e quase irreconhecíveis é uma tradição americana muito aguardada todos os anos. Mas no baile apenas de meninas, houve uma mudança ainda mais significativa, já que algumas colegas de Ahmed, normalmente escondidas em uma abaya, o tradicional manto muçulmano, literalmente soltaram seus cabelos em público pela primeira vez.
Eman Ashabi, uma iemenita que ajudou a organizar o evento, chegou em um vestido rosa, com seus cabelos negros caindo em ondas perfeitas por suas costas. Como muitas ali, ela surpreendeu suas amigas.
"Elas me diziam 'Meu Deus, é assim que você é por baixo dos panos!'", disse Simone Alhagri, uma iemenita.
A festa foi o desfecho de sete meses de planejamento intenso no qual a comissão arrecadou US$ 2,5 mil, principalmente através da venda de bolos. Ignorando os opositores que não podiam imaginar alguém em um baile sem meninos, Ahmed e suas amigas primeiro fizeram uma pesquisa sobre todas as meninas da escola. Elas descobriram que 65% não poderiam participar do baile por alguma divergência religiosa ou cultural. Após um debate, a escola apoiou a alternativa das estudantes.
Além de meninas muçulmanas (e ex-alunas que nunca tiveram a oportunidade de ir ao baile de formatura), as não muçulmanas também quiseram participar.
"Quero apoiar as minhas meninas", disse Sylwia Stanko, que nasceu na Polônia e cujas amigas são na sua maioria bengali e árabes. "Sei o quão importante isso é para elas".
Em nítido contraste com imigrantes anteriores, trazidos para a região por causa pela antes próspera indústria automobilística, um quarto dos moradores de Hamtrack agora vive abaixo do nível federal de pobreza.
"As pessoas aqui trabalham fora e têm suas dificuldades", disse o prefeito Karen Majewski, um historiador húngaro e dançarino folk. "É preciso haver integração".



Na escola, que tem 900 estudantes, muitos não muçulmanos respeitosamente ocultam suas garrafas de água e alimentos durante o Ramadã. O baile representa outra ampla mudança cultural.
"Vinte anos atrás, os pais tiravam suas filhas da quinta série para colocá-las em casamentos arranjados", disse Chris Bindas, assistente de biblioteca que levou pastéis de nata para o baile. "Agora essas mesmas meninas vão para a faculdade" – ainda que a uma faculdade perto de casa, para que as meninas possam continuar a viver com seus pais.
Ahmed, que pretende trabalhar enquanto estudar na Universidade Estatal de Wayne, em Detroit, se inscreveu para tentar ganhar 27 bolsas de estudo. "Esta é a minha fraqueza", disse ela sobre suas dificuldades financeiras. "Mas também é meu ponto forte."
No sábado à noite, quando as luzes tomaram conta do salão, os comentários tímidos de "Oh, você está linda!" e "Nossa, amei seus sapatos!" deram lugar à música, com as meninas dançando e se abraçando imersas em descrença e alegria.
Elas pararam às 20h para a oração. Depois, quando a rainha do baile foi escolhida, não foi nenhuma surpresa - exceto para ela - que Ahmed tenha sido coroada com a tiara cerimoniosamente colocada em cima de seu hijab. Em meio a pequenos gritos, ela se esforçou para manter a compostura. Seu rímel não teve tanta sorte.
Em seguida, o salão irrompeu com uma canção da banda 3alawah e as meninas se uniram na debka, uma dança do Oriente Médio. Todo mundo de mãos dadas, serpenteando ao redor do buffet de sobremesas e das colunas decoradas.
A energia eufórica de cem jovens mulheres sentindo-se vitoriosas e belas encheu o salão.
Por Patricia Leigh Brown